Havia duas luas. E Ismália desejava alcançar as duas.
No alto de uma torre, envolta pela noite, uma mulher contempla o impossível. Acima dela, a lua ilumina o céu. Abaixo, seu reflexo repousa sobre as águas escuras do mar.
Entre esses dois mundos, Ismália sonha.
No poema de Alphonsus de Guimaraens, a personagem vive um conflito profundo entre o desejo de ascensão espiritual e a atração pelo mundo terreno. Uma dualidade que se manifesta nas imagens do céu e do mar, da alma e do corpo, do sonho e da realidade.
Ismália — Entre o Céu e o Mar transforma essa obra fundamental do Simbolismo brasileiro em uma ilustração de atmosfera gótica e delicadeza melancólica.
A figura feminina se projeta sobre uma antiga torre de pedra, enquanto seus cabelos e vestes esvoaçantes parecem se dissolver na névoa. A lua cheia domina o céu e encontra seu reflexo nas águas agitadas, criando uma composição que mistura romantismo sombrio, arquitetura medieval e fantasia etérea.
Mas a beleza da cena carrega uma tragédia.
Em Ismália, o desejo de alcançar as duas luas conduz a personagem a um desfecho marcado pela morte e pela separação entre corpo e alma. O poema transforma esse sofrimento em uma imagem profundamente simbólica, na qual a busca pelo inalcançável encontra seu limite definitivo.
A estampa preserva essa tensão entre beleza e perda, explorando a sensibilidade de uma literatura que encontra nas sombras, na musicalidade e no mistério formas de expressar aquilo que as palavras nem sempre conseguem explicar.
É uma homenagem para quem encontra na poesia um território de identificação, reconhece a força da literatura brasileira e se fascina por histórias em que o sublime e o trágico coexistem.
Porque existem sonhos que parecem tão próximos quanto o reflexo da lua sobre a água.
E, ainda assim, permanecem impossíveis de tocar.